Bioeconomia

O Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia é, ao mesmo tempo, produto e instrumento da política pública estadual: nasce da Estratégia Estadual de Bioeconomia e do PlanBio Pará e opera como infraestrutura para transformar a sociobiodiversidade amazônica em negócios de escala, com repartição de benefícios.

A bioeconomia paraense não começou como um empreendimento isolado, mas como política pública. A Estratégia Estadual de Bioeconomia, instituída pelo Decreto nº 1.943/2021 e lançada em Belém durante o Fórum Mundial de Bioeconomia, definiu as bases para reorientar o desenvolvimento socioeconômico do Estado a partir de soluções baseadas na natureza, valorizando o conhecimento e os sistemas de produção tradicionais. Seu instrumento de consolidação é o Plano Estadual de Bioeconomia (PlanBio Pará), instituído pelo Decreto nº 2.746/2022, construído de forma participativa e composto por um plano de ações vinculado ao planejamento e ao orçamento estaduais.

O Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, no Complexo Porto Futuro II, em Belém, é a materialização física dessa política: entrega infraestrutura tecnológica compartilhada, ambiente de negócios e espaços de valorização dos saberes tradicionais. Sua função é reduzir tempo, custo e risco para desenvolver, testar e escalar soluções baseadas em ativos da floresta — exatamente o que os eixos do PlanBio determinam.

Cada eixo norteador da política estadual encontra no Parque um meio concreto de execução:

  • Pesquisa, desenvolvimento e inovação: Aplicar conhecimento científico e pesquisa tecnológica para gerar inovações de forma inclusiva, com benefícios sociais, econômicos e ambientais integrados, e transformar a pesquisa das instituições paraenses em tecnologias, capacitações e ferramentas úteis à produção local.
  • Patrimônio cultural e conhecimento genético: Reconhecer, proteger e valorizar as práticas tradicionais, com salvaguardas socioambientais e garantias ao patrimônio genético associado, assegurando direitos das populações locais e alternativas sustentáveis de desenvolvimento.
  • Cadeias produtivas e negócios sustentáveis: Agregar valor aos produtos da biodiversidade do território — certificação, proteção de cultivares, indicação geográfica — e criar ambientes de investimento atrativos, verticalizando a produção com geração de emprego, renda e repartição equitativa de benefícios.

Assim, o Parque não substitui a política pública: é o equipamento por meio do qual ela se torna verificável — em produtos que chegam ao mercado, em comunidades capacitadas e em cadeias produtivas verticalizadas dentro do Estado.

O diferencial do Parque está em sua estrutura inédita, conectada ao ecossistema do território:

  • Centro de Inovação — Armazém 5: Centro de Negócios com coworking, incubadora, aceleradora, espaço físico para startups, showroom, fundos de investimento, mini auditório, lounge conversível e um Balcão Único (one-stop-shop) de serviços e informações para residentes e visitantes.
  • Laboratório-Fábrica — Armazém 6: Infraestrutura tecnológica compartilhada e flexível que integra laboratórios industriais de P&D a uma linha de produção piloto: startups desenvolvem produtos, negócios comunitários se apropriam de novos processos produtivos e indústrias testam insumos da floresta em seus lançamentos.
  • Centro de Sociobioeconomia: Valorização dos saberes tradicionais e do conhecimento local, com Laboratório Vivo e Escola de Saberes da Floresta, assegurando a inclusão das comunidades nas oportunidades geradas.
  • Centro de Gastronomia Social: Valorização da cultura alimentar amazônica e desenvolvimento de produtos e experiências gastronômicas sustentáveis.
  • Espaços de eventos e negócios: Áreas para feiras, encontros e eventos temáticos, concebidas para ativar o ecossistema local e atrair investimentos.

O Laboratório-Fábrica integra laboratórios industriais e uma linha de produção piloto flexível, permitindo que um bionegócio percorra pesquisa, formulação, escala industrial, envase, controle de qualidade e acesso a mercado sem erguer sua própria fábrica.

  • Processamento de frutas, tubérculos e oleaginosas: despolpamento, moagem, extração por prensagem, filtração, fermentação controlada (líquida e sólida em biorreator).
  • Secagem e concentração: liofilização, secagem por atomização, secagem por temperatura, evaporação rotativa.
  • Extração e separação: extração com CO₂ supercrítico para compostos bioativos, centrifugação, ultra, micro e nanofiltração, decantação.
  • Envase e cozinha industrial: envase pressurizado, não pressurizado e asséptico, pasteurização, torrefação, melanger e fogão industrial.
  • Cosméticos e química fina: reator e dispersor, câmara climática e de fotoestabilidade, estufa, destilador de óleos essenciais, caracterização preliminar e preparação de amostras.
  • Controle da qualidade: titulação, medição de pH, refratometria e viscosimetria rotativa.

A operação é dedicada a cadeias vegetais, com mais de 30 tipos de matérias-primas amazônicas e sem processamento de produtos de origem animal.

Linha de produtoPrincipais insumos
Sucos e polpas congeladasaçaí, cupuaçu, bacuri, buriti, camu-camu, murici, taperebá, tucumã, maracujá, caju, abacaxi, camapu.
Farinhas e fermentadosmandioca, cará e batata ariá.
Manteigas cosméticasbacuri, cacau, cupuaçu, murumuru e pracaxi.
Óleos cosméticos e farmacêuticosandiroba, babaçu, bacaba, buriti, castanha, copaíba, açaí e tucumã.
Óleos alimentíciosbabaçu, bacaba, castanha e tucumã.

A governança do Parque é multissetorial e supervisionada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS), com Fórum Estratégico Consultivo e Comitê de Acompanhamento vinculado a um contrato de gestão. A operação é conduzida por um agente operador e por instituições especializadas em cada frente interconectada.

  • Funções críticas: gestão geral, operação produtiva do laboratório-fábrica e gestão de P&D.
  • Funções estratégicas: Balcão Único, Laboratório Vivo, incubadora, aceleradora e coworking.

O arranjo de implantação reúne o Governo do Pará e parceiros como Vale, Fundo Vale e Certi, combinando recurso público, capital corporativo e filantropia de impacto.

Residentes e visitantes acessam, pelo Balcão Único, um conjunto de serviços especializados: projetos de carbono, propriedade intelectual, regulamentação e jurídico, análise de conformidade, recursos genéticos e repartição de benefícios, embalagens e rótulos, marketing e branding, tecnologia da informação, análises laboratoriais, análise de mercado, logística e cadeia de suprimentos, internacionalização, recursos humanos e finanças.

Como adicionalidades ao ecossistema de inovação, o Parque oferece:

  • P&D em nível de maturidade tecnológica avançado (TRL acima de 5);
  • rede integrada de P&D e centrais analíticas de suporte;
  • comunidade de startups engajadas, com pipeline organizado;
  • diversidade de públicos — indústria, investidores, negócios comunitários, terceiro setor, pesquisa e governo;
  • produção de lotes piloto, isto é, manufatura efetiva em bioeconomia;
  • mobilização e suporte dedicados a negócios comunitários.

A operação inicial do laboratório-fábrica já registra 42 empresas atendidas, mais de 60 visitas técnicas com mais de 600 pessoas e uma carteira de prospecções em curso tanto para produção quanto para projetos de P&D, com negócios sediados em Belém, Abaetetuba e outros municípios paraenses.

Os impactos previstos para a política pública são:

  • mais de 200 negócios de base florestal apoiados no primeiro ano, entre startups, indústrias e negócios comunitários;
  • entrada de novos produtos com insumos amazônicos no mercado, com padronização e escala;
  • acesso a mercados e atração de investimento em bioeconomia;
  • fortalecimento das cadeias da sociobiodiversidade e dos negócios comunitários;
  • formação de jovens talentos e capacitação de comunidades;
  • integração entre saberes tradicionais e ciência aplicada;
  • interiorização do desenvolvimento e fortalecimento territorial.

O Parque foi desenhado com modelo de negócio autossustentável de longo prazo, combinando fontes próprias e captação:

  • uso do laboratório-fábrica e prestação de serviços de P&D;
  • produção de lotes piloto para terceiros;
  • aluguel de salas comerciais, salas de reunião, coworking e espaços comerciais;
  • lounge de eventos, mini auditório e atração de eventos temáticos relevantes;
  • captação de projetos nacionais e internacionais, patrocínios e cofinanciadores;
  • membresia virtual, parcerias e estratégia de clientes líderes.

Como sociedade de economia mista responsável por estruturar e gerir ativos ambientais do Estado, a CAAPP atua na dimensão econômica e institucional do Parque:

  • estruturar negócios e instrumentos financeiros que conectem empreendimentos do Parque a investidores e compradores;
  • integrar a bioeconomia aos demais ativos ambientais do Estado — JREDD+, restauração e novos ativos;
  • assegurar repartição de benefícios com povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares fornecedores das cadeias;
  • aplicar salvaguardas socioambientais, integridade e transparência na relação com parceiros públicos e privados;
  • acompanhar indicadores de resultado que demonstrem a entrega da política pública à sociedade paraense.

Conteúdo elaborado a partir do Plano Estadual de Bioeconomia do Pará (PlanBio), do relatório executivo do Laboratório-Fábrica e do material institucional do Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia. Informações sujeitas a atualização.